FRAUDE EM COMPRAS: O COMBATE GANHA IMPORTÂNCIA NA GESTÃO DAS COMPANHIAS

  08/03/2017 - Por : -

Quem já trabalhou na área de compras/suprimentos, direta ou indiretamente, em algum momento da sua carreira profissional já ouviu falar que um comprador ou gestor tem acordos, extraoficiais, para escolha de determinado fornecedor, ou seja: eu compro de você e o que eu ganho em troca?

Um levantamento realizado pela PwC publicado no site www.pwc.com.br e disseminado por sites de notícias evidenciou, em números, os crimes econômicos praticados dentro das empresas brasileiras.

Antes de adentrarmos no assunto vale comentar que a PricewaterhouseCoopers, também chamada de PwC, é uma das maiores prestadoras de serviços de auditoria e consultoria do mundo. A PwC Brasil possui cerca de 5.000 profissionais em 16 estados brasileiros.

A pesquisa realizada foi de âmbito nacional com 130 empresas e divulgada em 2014.

Segue abaixo alguns títulos de sites que expuseram a pesquisa:

Das 130 empresas entrevistadas 27% delas foi vítima de algum tipo de crime econômico e para 33,3% representou um custo que varia de 100 mil até 1 milhão de dólares para cada uma.

44% dos crimes econômicos ocorreram na área de compras.

Segundo o diretor da PwC e especialista em compliance esse tipo de crime está ligado a escolha dos fornecedores e ocorre dando preferência a determinadas empresas de forma fraudulenta.

64% das fraudes são de origem interna, ou seja, com a participação dos funcionários, onde 35% trabalham na empresa de 6 a 10 anos, 39% são gestores e o mesmo percentual (39%) são juniores, 85% são homens e 52% tem entre 31 e 40 anos.

74% dos entrevistados acreditam que os crimes ocorreram porque houve falhas que permitiram a fraude.

Os crimes mais praticados são a apropriação de ativos (desvio de bens) 72% e corrupção e suborno com 28%.

Essa pesquisa evidenciou que o índice de fraudes na área de compras no Brasil supera a média mundial, os 44% citados acima estão à frente da taxa global de 29%, latino-americana de 27% e de mercados emergentes de 36%.

Dentro do estudo a PwC indica que as empresas precisam passar a investir ainda mais em tecnologia e auditoria para evitar penalidade.

Atualmente as empresas

Nos últimos anos, o combate às fraudes passou a receber mais atenção das empresas ligadas ao mercado de consumo (indústria e varejistas).

Historicamente, as companhias desses setores preferiam centrar esforços em outros aspectos do negócio, como no aumento de vendas.

No entanto, as exigências dos investidores e dos órgãos reguladores por boas práticas de governança corporativa, bem como a própria necessidade de melhorar o resultado operacional, fizeram com que o combate às fraudes ganhasse uma importância extremamente significativa na gestão das companhias.

Principalmente no departamento de Compras, por onde passa grande parte dos recursos.

“As fraudes, em especial no departamento de Compras, trazem perdas efetivas e impactam o lucro. Por isso, devem ser foco de ações Consumer Markets 39 de mitigação de riscos e também de prevenção. Já é possível perceber, hoje, uma mudança de mentalidade. As companhias estão cada vez mais atentas, trabalhando de forma proativa. Muitas delas, inclusive, já têm pessoal especializado, que atua junto com a auditoria interna e tem a responsabilidade de identificar as situações que podem expor a empresa a fraudes e perdas financeiras”, afirma Werner Scharrer, sócio da KPMG no Brasil na área de Forensic.

Trata-se de uma boa notícia

Principalmente se levarmos em conta que o combate às fraudes é fundamental para melhorar a gestão financeira das organizações e também elevar os padrões de governança corporativa.

Atualmente, ética, comprometimento e atuação de acordo com valores morais aceitos pela sociedade são imprescindíveis – quando a empresa trabalha de acordo com esses princípios, ela cria uma reputação que dá confiança ao consumidor e aos parceiros de negócios.

Apesar desse cenário positivo, ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Em especial nas empresas brasileiras. “Estamos no caminho certo, mas podemos evoluir.

O Brasil ainda atua de forma reativa, ou seja, age quando as fraudes já ocorreram.

O ideal é que as companhias trabalhem de forma preventiva, com análise de dados e das informações internas e mesmo as externas para identificar red flags e inconsistências, que acarretam riscos de fraudes”, explica o sócio da KPMG.

A investigação das causas se dá quando o prejuízo já aconteceu.

Daí a importância da prevenção.

“As áreas de prevenção de fraudes estabelecem regras de conduta e segregação de funções nos diversos elos da cadeia de fornecimento para mitigar o risco de ocorrências. Isso é fundamental. Quando se criam rotinas de prevenção e controle de fraudes, já fica evidente para todos que a empresa tem processos e controles sobre condutas não condizentes com as boas práticas adotadas pela companhia. Dessa forma, a empresa cria um ambiente de trabalho ético, no qual todos os funcionários e colaboradores entendem quais são os procedimentos adequados”, comenta Paulo Ferezin, diretor da KPMG no Brasil na área de Desenvolvimento de Negócios para o Varejo.

Pontos de atenção Além de estruturar áreas de prevenção, é preciso também aprimorar o controle.

Isso pôde ser percebido na pesquisa Procurement Fraud in Consumer Companies, preventing, detecting and taking action, realizada pela KPMG International.

De acordo com o estudo, 33% das 460 companhias pesquisadas responderam que a própria área de Compras é o departamento responsável por gerenciar os riscos de fraudes.

Para 31%, essa responsabilidade era da auditoria interna; para 14%, da Contabilidade; para 10%, da Compliance; e para 9%, de nenhum desses departamentos.

Aqui existe um conflito. “É uma contradição. Uma Que área é responsável por gerenciar o combate às fraudes no processo de compras? Auditoria interna Compras Contabilidade Compliance Nenhuma delas Fonte: KPMG International 0% 10% 20% 30% 40% 50% 31 33 14 10 9 40 Consumer Markets área tão exposta a riscos de fraudes, como Compras, jamais poderia ter a função de auditar a si mesma. Esse controle deve vir de fora, de pessoal independente. É um alerta: as empresas devem avaliar essa questão a fundo”, explica Werner Scharrer.

As oportunidades de fraudes podem estar em diversas etapas do processo de compras.

A maior parte dos problemas não está na redação do contrato, já que ele normalmente é submetido a outras áreas, como o departamento Jurídico.

Os riscos estão, principalmente, em sua execução, em especial nos contratos de médio e longo prazos, que estabelecem critérios, regras e descontos.

Muitas vezes não há o acompanhamento devido. Isso fica ainda mais complexo porque fraude pressupõe a intenção de obter vantagens ilícitas.

Em certos casos, fica difícil obter a comprovação.

Erros ou desculpas técnicas costumam aparecer para mascarar inconsistências de dados ou o não aproveitamento de vantagens para a empresa.

O gerenciamento de contratos e a negociação de preferências e descontos com fornecedores são pontos extremamente sensíveis e suscetíveis a fraudes.

Até porque envolvem grandes volumes de recursos financeiros.

“Não existe uma regra geral que funcione para todas as companhias. Por isso, é essencial mapear toda a cadeia de suprimentos e avaliar os processos para identificar os pontos de vulnerabilidade. Partindo desses red flags, a empresa deve construir um modelo de combate às fraudes de acordo com a sua realidade. Essas ações ajudarão a mitigar riscos, indicarão a necessidade de mudar os processos, estabelecendo, assim, um padrão ético”, diz Ferezin.

O avanço da tecnologia também pode ser um aliado.

Neste segmento de negócios, as empresas são obrigadas a lidar com um volume muito grande de dados.

Uma análise proativa das informações eletrônicas pode contribuir para a prevenção e a identificação de pontos de vulnerabilidade.

A tecnologia permite ganhar velocidade tanto na avaliação de indícios quanto na detecção.

Mesmo com todas essas vantagens, a tecnologia ainda está sendo pouco utilizada pelas companhias.

De acordo com a pesquisa da KPMG, 65% delas não usam (18%) ou usam de forma limitada (47%) a análise de dados.

As empresas já entenderam que precisam combater as fraudes.

Resta, agora, trabalhar para efetivamente implementar planos de mitigação de riscos.

As vantagens são consideráveis: maior eficiência operacional e ganho nos lucros.

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